segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quem é culpado pelas enchentes? Como Resolver?

Já virou rotina não sabermos como vai terminar nosso dia. Se vamos ter como voltar pra casa ou se as ruas serão alagadas tornando-se rios e lagos invencíveis para carros, ônibus e trens. Quantas vezes ficamos reféns nas estações esperando a liberação dos trilhos?
E quem mora na periferia? Tem que conviver com a constante ameaça de ver tudo o que conquistou ser arrastado pelo barranco e ainda ouvir pela televisão que ele não deveria estar ali... Ora, quem pode escolher não vai querer morar em cima ou embaixo de um barranco ameaçado de deslizamento.
Cada Prefeito e Governador (tanto os do bloco PSDB/DEM, quanto os do PT/PMDB/PSB, etc) jogam a culpa uns nos outros e ninguém faz nada frente a um problema que se repete a cada ano. Isso porque não estão dispostos a enfrentar o problema pela raiz.
É claro que não podemos esperar que os governos controlem as chuvas, mas devemos exigir que sejam tomadas medidas para combater e minimizar as conseqüências de períodos chuvosos e que o povo pobre não seja obrigado a pagar com a vida pela falta de planejamento urbano e pelo lucro dos especuladores imobiliários.
Sabemos que a impermeabilização do solo é a principal causa de enchentes, pois a água não pode ser absorvida pelo concreto e pelo tipo de asfalto usado. Isso acontece principalmente em antigas áreas de várzea de importantes rios (Tietê, Pinheiros, Tamanduateí, que hoje não passam de esgoto a céu aberto), tomadas por empreendimentos imobiliários como Shoppings e condomínio fechados.
Para aumentar esses problemas existem os interesses e a influência das grandes multinacionais, indústrias automobilísticas, que se instalaram no Brasil no século passado e impuseram a desorganização dos transportes ferroviários e coletivos como forma de impulsionar o modelo de transporte individual (cada vez mais carros).
Tal modelo exige cada vez mais a construção de avenidas asfaltadas, pontes e viadutos, a demolição de prédios e a desapropriação de casas para dar lugar à fluidez do trânsito entupido de automóveis.
É esse modelo irracional, voltado apenas para gerar lucro para as indústrias multinacionais, empreiteiras e grandes imobiliárias que impuseram o prolongamento da Av. Faria Lima, no Bairro Pinheiros,e a construção da famosa Ponte Estaiada, onde é proibida a passagem de ônibus, Não é de se admirar que apesar de tantas obras caríssimas o trânsito continua caótico já que não há um verdadeiro compromisso com o transporte público, também entregue à exploração privada, encarecido e de baixa qualidade.
 A lógica do lucro na ocupação do solo permite que a especulação imobiliária encareça os imóveis próximos ao centro e obriga os trabalhadores a se fixarem longe de seus locais de trabalho. Aos trabalhadores só restam os locais mais baratos, ou seja, aqueles que não são os principais alvos da especulação imobiliária: como as encostas, áreas de mananciais, morros e margem dos rios da periferia.
É, portanto, a lógica capitalista do lucro a responsável pelas enchentes e deslizamentos que tantas vítimas e prejuízos causam aos trabalhadores.
Se a lógica do lucro na ocupação do solo não for quebrada, os trabalhadores continuarão a perder tudo: suas casas e até a vida de seus familiares. Se os casos mais famosos como as enchentes do Jardim Romano e do Jardim Pantanal, na periferia da Zona Leste não são resolvidos, imaginem as milhares de tragédias anônimas vividas por tantos trabalhadores que ao chegar a suas casas se deparam com uma inundação ou deslizamento.

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